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Entrevista com a artista plástica Grazi Gadia


Grazi Gadia é de Porto Alegre, Brasil. Ela é publicitária. Há treze anos, ela se mudou do sul do Brasil para o sul da Flórida. Grazi também é artista plástica. Nos últimos anos, Grazi participou de 3 edições da ARTBRAZIL, em Fort Lauderdale, expondo a sua arte e promovendo workshops sociais sobre o tema Autismo.

Ela foi convidada a pintar alguns murais dentro do Nicklaus Children's Hospital Dan Marino Center (Weston, FL). Desde então, Grazi vem expressando sua criatividade, pintando paredes em outros centros médicos, consultórios e clínicas pediátricas do Brasil e dos Estados Unidos. A artista também criou e pintou o “Mural Night and Day” no ELS - Autism Center of Excellence.

Há 6 anos atrás, Grazi criou o seu projeto social Eyecontact - Lives shaped by Autism

Através do Eyecontact ela se tornou uma ativista da causa azul. O seu projeto social Eyecontact tem a missão de valorizar o protagonismo de mães e pais de autistas que fazem a diferença na na sua comunidade no Brasil e no mundo. Grazi conta as histórias de vida destes pais por meio de histórias em quadrinhos e banners os quais compõe a “POP UP Exhibition” que geralmente é exposta em congressos de autismo e em galerias no Brasil e nos EUA. Fora isso, ela promove, anualmente, festivais de artes exclusivos para autistas e acaba de lançar um festival de artes exclusivo para os pais e mães das crianças com TEA.

Junto com o seu marido, Dr Carlos Gadia, ela ajuda a organizar congressos sobre autismo sempre com a parceria de pais e mães de autistas no Brasil como o TEABRAÇO, o RIO TEAMA e BAHIA DE TODOS OS TEA.

No ano de 2020, por ocasião da pandemia e o cancelamento de diversos congressos presenciais, Grazi Gadia, através do Eyecontact, fundou o TCHEADORO – o I Congresso Internacional sobre Autismo (100% on line) em parceria com o Projeto Michela Caron, no qual teve a presença ilustre da Dra. Temple Grandin como palestrante e mais de 1500 pessoas conectadas.

Nessa quarentena, ela completou as 40 horas do curso de RBT e realizou um sonho antigo: criou uma empresa - ARTS & HEARTS no qual leciona aulas de artes para crianças e adultos online.


E N T R E V I S T A


1) Qual é a sua história com o transtorno do espectro autista?


Mudei para a Florida em 2007 porque casei com o Dr. Carlos Gadia. A partir daí, eu tive conhecimento sobre o Transtorno do Espectro do Autismo. Ele é neuropediatra e especialista em autismo. Sou gaúcha, de Porto Alegre, muito pouco sabia sobre o Autismo. E desde o início, a partir do primeiro contato com uma das famílias de um paciente brasileiro do Carlos, o que me impressionou foi a garra, a resiliência e a força da mãe desta criança. E assim comecei a conhecer as famílias que vinham do Brasil para se atender com o Carlos aqui em Weston e cada uma me causava mais e mais admiração. Desde então, minha atenção recaiu sobre elas, na medida que suas vidas eram completamente moldadas pelo autismo de seu ou sua filha. Por isso, foi surgindo aos poucos a idéia de ajudar de alguma forma estas mães. E assim lançei a semente do projeto Eyecontact – Lives Shaped By Autism.


2) Qual é a relação da arte e a sua infância?

Sempre fui arteira, inquieta e uma criança imaginativa. Cresci com minha mãe e avós fazendo tricô, crochet e costurando. Desde pequena eu gostava disto tudo. Fazia roupinhas para bonecas com os retalhos que tinha em casa. Minha escola também estimulava a criatividade e oferecia estas oportunidades de aulas de artes e música. Cursei aula de piano e violão. Mas foi depois da maternidade, há 30 anos atrás, que eu comecei a fazer aulas com uma renomada artista plástica de Porto Alegre – Vera Wildner e a partir dai nunca mais parei de pintar. Ela é muito mística e por isso tinha uma maneira muito especial de ensinar, onde estimulava que a gente deixasse fluir sem medo nossas idéias. Ela me disse uma vez: “Na arte não existe certo ou errado, na arte tudo pode.” Aqui na Florida já participei de 4 exposições e no Brasil realizei 1 exposição individual em Miami. E nos 4 últimos anos promovi 3 Festivais de Artes Exclusivos para Autistas e neste ultimo ano, fui curadora do Saralmoço, no Congresso Internacional de Autismo Caminho Azul que contemplou tanto os autistas como seus pais.


2) Qual é a importância da arte na sua vida?


A arte e o esporte tem total importância na minha vida. Amo pintar, amo fazer esportes. Acredito que ambos ajudam muito no neuro-desenvolvimento e inclusão social de qualquer indivíduo. Eu tenho como um dos meus hobbies a arte. Adoro fazer arte. Quando eu pinto eu viajo para dentro e para fora de mim. Ela significa exposição e ao mesmo tempo introspecção da minha pessoa.

Na arte eu expresso todas as minhas nuances. Sou completamente instintiva quando estou pintando. Na verdade, a arte e o esporte sempre ajudaram a resgatar a minha indentidade e foi através de ambos, novamente, que construir minha identidade a partir do momento que virei uma imigrante nos Estados Unidos há 14 anos atrás.


Criei o projeto Favelicidades que enaltece e valoriza a nossa brasilidade, a nossa cultura, a força do povo brasileiro. E todas as ações do Eyecontact são permeadas pela arte também.

Hoje, a arte é o meu hobbie e o meu trabalho, pois fundei ARTS & HEARTS – Developing Skills Through Arts.

Ou seja, através das aulas de artes ajudo a desenvolver as habilidades do indivíduo com TEA como socialização, por exemplo.

Sempre tive o sonho de poder fazer um trabalho junto a crianças através da arte.

E foi durante a pandemia, há um ano atrás, depois de ter COVID 19 que me entusiasmei e criei este projeto Arts & Hearts e realizei o sonho de lecionar arte para crianças com TEA. Todos os meus alunos são do Brasil e as aulas são de forma remota.

3) Qual a importância da Arte na inclusão do Autista?


Vejo a arte como uma oportunidade destes individuos dentro do espectro obterem uma perspectiva de trabalho e/ou apenas terem prazer em fazer arte. Muitos autistas tem esta habilidade artistica de pintar, desenhar, cantar, dançar e penso que devemos incentivar estas habilidades e talentos. A arte é uma forma de desenvolver a criatividade, a abstração. Através da pintura e desenhos o indivíduo pode incrementar sua motricidade fina e também sua atenção. A arte permite o autista usar o seu híper-foco de uma forma funcional. A arte muitas vezes pode ser a voz do autista para comunicar seus desejos, sonhos e sentimentos. A arte abre portas e janelas no mercado de trabalho, como por exemplo, uma de minhas alunas depois de ter aulas no Arts & Hearts, além de incrementar sua socialização, diminuiu sua timidez, começou a expor suas obras nas redes sociais e foi contratada por uma grife de roupas infantis como a dsigner oficial de estampas. Hoje, ela colabora com a renda familiar de sua família. A arte além de fazer o autista mais, feliz, faz feliz a sua família ao vê-lo feliz e com um objetivo de vida.


3) O que é a o Projeto EYECONTACT – Lives Shaped by Autism? - Eyecontact-Lives shaped By AUtism – Olho no olho com pais de autistas – Vidas moldadas pelo Autismo


nasceu desde o primeiro contato que tive com as famílias brasileiras de autistas aqui nos Estados Unidos. Como falei anteriormente, sempre fiquei muito comovida com o trabalho e entrega destas mães para com seus filhos com TEA. E notava que as suas histórias de vida ficavam totalmente em segundo plano em função da dedicação que é necessária para o tratamento de uma criança autista. Mas, o principal ponto de partida, era ver que que estas mães ainda achavam que faziam pouco. A mais frequente ansiedade delas é não estar fazendo o melhor para seus filhos se desenvolverem, por isso estão sempre ligadíssimas e estudando o que tem de novo e de melhor na área do tratamento deste trasntorno. Elas e os pais, muitas vezes, se tornam os próprios terapeutas de seus filhos porque no Brasil ainda temos uma carência muito grande de profissionais capacitados para tratar o autismo. E eu que observava e observo de fora, ficava e fico embasbacada com o nível de entrega, paciência, de resiliência, de persistência enfim com o amor que elas doam 48 horas por dia 7 dias por semana a seus filhos e para a causa do autismo. Sim eu disse, 48 horas por dia, porque o dia de uma mãe e pai de um autista vale por dois. Então, sempre quis fazer uma homenagem especialmente a estas mães. Sempre tive o desejo de mostrar o quanto elas são incríveis e maravilhosas. Que são elas que fazem a diferença no desenvolvimento dos seus filhos. Eyecontact – Lives shaped by Autism tem a missão de mostrar para todo mundo o protagonismo que estes pais têm no desenvolvimento de seus filhos e na conscientização sobre o Autismo no mundo.


Então, através do projeto Eyecontact eu conto as histórias de superação destes pais depois do diagnóstico de TEA e evidencio como eles ainda tem tempo para se dedicar a causa do Autismo criando seus projeto sociais no Brasil e no mundoi. As histórias são relatadas através através da arte pop, usando posters e quadrinhos. Esta exposição – POP ART EXHIBITION – Quando a Luz dos olhos meus resolvem te encontrar - mostra como estas famílias trabalham pela conscientização sobre o Autismo e ajudam a outras famílias de autistas no Brasil. A generosidade é peculiar e muito intensa na comunidade autista e no mundo e isto tem que ser divulgado, e é isso que eu faço. Eles são muito unidos. Isto não vejo facilmente em outras comunidades.

4) Qual é a importância de associações de pais pela Causa autista no Brasil?


Tem total importância. É através destas associações que começa o apoio que os pais precisam a partir do diagnóstico. Eles recebem o diagnóstico e ficam desolados, perdidos, muito tristes. Só quem vive este sentimento sabe o que é. Por isso as famílias se ajudam mutuamente e é através destas associações de pais que elas se encontram e se identificam e se reforçam. Além disso, são estas associações que têm a força de pressionar o governo para mudar e melhorar as políticas públicas em prol do tratamento do Autismo no mundo. É assim aqui nos Estados Unidos, não vai ser diferente no Brasil.

7) Quais são seus próximos objetivos como artista plástica e defensora da causa Autista no Brasil e nos EUA?


Eu quero manter este ritmo, promovendo festivais de artes, dando aulas de artes, fazendo exposições de artes de autistas e participando de eventos de autismo como sempre fiz. Tenho muitos projetos pela frente. Nunca paro, mas prefiro fazer surpresa. Mas ainda este ano, teremos novidades. Hoje, a minha arte está diretamente ligada com o autismo quando pinto os murais em hospitais e centros de tratamento aqui na Florida. A minha arte se relaciona com o autismo, quando fotografo as mães e seus filhos para contar em na forma de quadrinhos as histórias destas mães. Elas me inspiram muito. Meu plano é manter este ritmo e seguir em frente valorizando e ajudando as famílias brasileiras com filhos autistas da maneira que é possível.

Durante a pandemia, tirei uma certificação em RBT, senti necessidade de conhecer um pouco mais sobre a ciência ABA. Também faço parte, como coordenadora, do Programa www.SUPERABA.com.br o qual democratiza o ABA no Brasil. Um projeto muito bonito em parceria com o Grupo Gradual e a plataforma digital Adapte que acolhe e capacita pais e mães no manejo do dia-a-dia de seus filhos com TEA. Também colaboro com a equipe de marketing do TiTa Therapy, um aplicativo que está chegando no mercado para facilitar a gestão transdiciplinar nas terapias do TEA. Carlos e eu estamos sempre abertos para ajudar a causa do a Autismo no nosso país. É só chamar.



Na imagem, talentos selecionados e reconhecidos sob a curadoria de Grazi Gadia.


Esquerda superior: Igor

Esquerda inferior: Davi

Centro: Letice

Direta superior: Thiago

Direita inferior: Lis








Instagram https://www.instagram.com/eyecontactlivesshapedbyautism/




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